O pai e o filho
- madalena almeida

- 10 de jul.
- 6 min de leitura
Permitam-me que vos conte agora a história sobre o pai e o filho. Permitam que o amor sature cada um dos poros do vosso corpo, à medida que a Verdade desta história real se vai revelando a vós. É chegado o momento da cura para aquilo que, quem sabe, já tenham pedido, porque a cura entrará em acção.
A acção é o resultado do Conhecimento.
Era uma vez, um pai no planeta Terra. Muito embora "ainda" não fosse pai, esperava, ansiosamente, sê-lo, dado que estava para o breve o nascimento do seu primeiro filho. Desejava que fosse um filho varão, pois tinha já muitos planos para ele.
Como era carpinteiro, pretendia ensinar este ofício ao filho. Dizia:
- Oh! Tenho tantas coisas para lhe ensinar! Ensinar-lhe-ei todos os truques do negócio, e sei que se interessará por manter o nome da família neste ofício.
E assim, quando ocorreu o nascimento e teve, realmente, um filho varão, sentiu-se cheio de alegria.
- Este é o meu filho! - dizia a todas as pessoas. Este é o que continuará a linhagem da família. É o que terá o meu nome. Este é o novo grande carpinteiro, pois lhe ensinarei tudo o que sei. O meu filho e eu vamos estar sempre muito bem, junto um do outro.
O menino cresceu a gostar do pai, que o adorava e incentivava, dizendo constantemente:
- Filho, vais ver quando eu puder compartilhar estas coisas contigo. Vais adorar! Compartilharás da nossa linhagem, do nosso ofício, da nossa família, e teremos muito orgulho em ti, mesmo depois de eu já ter partido deste mundo.
Aconteceu, porém, algo de insólito, durante o caminho. À medida que a vida decorria, o filho começou a sentir-se sufocado pela atenção do pai e a sentir que tinha o seu próprio percurso a fazer, muito embora não o manifestasse por estas palavras. E começou a revoltar-se com coisas pequenas.
Quando completou dez anos, já não estava minimamente interessado naquilo que o pai tinha a dizer sobre a carpintaria ou sobre a linhagem. Com respeito, disse ao seu pai:
- Pai, peço-lhe que me respeite. Tenho os meus próprios gostos e desejos. Estou interessado em coisas que nada têm a ver com carpintaria.
O pai nem queria acreditar no que estava a ouvir, e respondeu:
- Mas, filho... Tu não percebes! Olha… Sou mais sábio do que tu e posso tomar decisões por ti. Permite-me ensinar-te estas coisas. Permite que assuma o papel que me cabe, como teu mestre, e vais ver quepassaremos tempos óptimos, os dois.
- Eu não vejo as coisas assim, pai. Não desejo ser carpinteiro, nem tão pouco quero magoá-lo, senhor.
Mas tenho o meu próprio caminho a percorrer e desejo fazê-lo.
Esta foi a última vez que a palavra "senhor" foi usada, porque o respeito entre pai e filho se foi deteriorando gradualmente, até que se converteu num vazio negro e escuro.
À medida que ia crescendo, o filho apercebeu-se de que o pai continuava a insistir para que ele se transformasse em algo que ele não queria ser. Como consequência, o filho saiu de casa, sem sequer se despedir do pai, deixando-lhe, somente, a seguinte mensagem: "Por favor, deixe-me em paz."
O pai ficou mortificado. Pensava:
- O meu filho… Passei vinte anos à espera deste momento… do momento em que, supostamente, ele iria ser tudo aquilo com que sempre sonhei... o carpinteiro, o grande mestre desta arte que teria o meu nome. Estou envergonhado. Arruinou-me a vida!
O filho, por seu lado, também pensava:
- Este homem arruinou a minha infância, deu-me vida para ser algo que não escolhi ser. E, neste momento, escolho não sentir afecto por ele.
Gerou-se, assim, um sentimento de tristeza e ódio entre pai e filho, que se manteve ao longo das suas vidas. E, quando o filho teve o seu próprio filho - uma linda menina - pensou:
- Quem sabe... talvez (só talvez), devesse convidar o meu pai para conhecer esta filha da sua linhagem.
Mas, depressa reconsiderou, pensando:
- Não, este é o pai que arruinou a minha infância e que me odeia. Não vou compartilhar nada com ele.
E assim foi. O pai nunca chegou a conhecer a sua neta. Acontece que, aos oitenta e três anos, o pai morreu. No seu leito de morte, olhou para trás e disse:
- Quem sabe... talvez agora, que é chegada a hora da minha morte, chamarei o meu filho.
E, nesse momento de sabedoria, sentindo a morte próxima, mandou chamar o filho. No entanto, a resposta do filho foi:
- Desprezo-te, porque me arruinaste a vida. Afasta-te de mim.
E acrescentou:
- Alegrar-me-ei com a tua morte!"
Oh! Quanto ódio havia na mente e nos lábios do pai, ao morrer, que pensava como podia ter tido um filho tão desprezível!
O filho levou uma bela vida. E, aos oitenta anos, também ele morreu, rodeado por uma família que o estimava e que lamentava que a sua essência já não continuasse vivendo neste planeta.
E, é aqui, meus queridos, que a história, verdadeiramente, começa. O filho chegou à Gruta da Criação.
Seguiu o seu caminho durante três dias, recuperou a sua essência e o seu Nome e avançou até ao Salão de Honra. Ali passou muito tempo em adoração; ali onde, literalmente, milhões de entidades, num estado que nem sequer se pode imaginar, o aplaudiram e respeitaram por tudo o que tinha passado na sua vida,
enquanto estivera neste planeta.
Como vêm, meus queridos, já todos vocês ali estiveram antes. Mas não podemos mostrar-vos, porque isso deitaria a perder a vossa permanência aqui na Terra e era algo que vos traria demasiadas recordações. Mas vocês estarão, um dia, de novo aqui, para receber a nova cor. Porque estas cores são vistas por
todos os seres que estão no Universo, quando se encontram convosco. As vossas cores são como uma identificação, a qual indica que foram um Guerreiro da Luz, no planeta Terra. Eu sei que, no momento em que conto esta história, é difícil entenderem esta ideia, mas, mesmo assim é verdadeira. Vocês nem imaginam
a importância das cores identificadoras da Terra. Um dia recordarão as minhas palavras, quando se encontrarem comigo na audiência do Salão de Honra.
E assim, ali estava o filho para receber os seus prémios e as novas cores da sua energia, para que girassem com as outras que já possuía, e para mostrar, a todos os que o rodeavam, quem ele era. Quando esta cerimónia acabou, o filho, revestido com o manto da verdadeira identidade que era, enquanto entidade universal, entrou numa zona na qual viu, de imediato, o seu melhor amigo, Daniel... aquele a quem, há tempos atrás, tinha deixado para ir acudir e ajudar ao planeta Terra.
Viu Daniel através do vazio e exclamou:
- Eras tu!?... E desprezei-te tanto...
Aproximaram-se (por assim dizer) e abraçaram-se, partilhando as suas energias. Com grande alegria falaram dos velhos tempos universais que tinham desfrutado juntos, antes de o filho ter ido para a Terra.
Um dia, passeando pelo Universo com o seu amigo Daniel, disse-lhe:
- Sabes Daniel... Na Terra, foste um pai maravilhoso.
-Meu querido amigo... e tu um filho extraordinário - respondeu Daniel. É incrível o que passámos como humanos, não é?... Como é que a dualidade pode ser tão completa que nos separou – a nós grandes amigos - enquanto estivemos na Terra?".
- Mas como é que pode acontecer algo assim? - perguntou o que tinha sido filho.
- Oh! O véu era tão forte que nem sabíamos quem, realmente, éramos respondeu o que fora pai.
- Mas o plano funcionou tão bem, não é verdade?
- Sim, de facto funcionou muito bem. Não tivemos a mínima ideia de quem realmente éramos - respondeu Daniel.
E, desta forma, deixamos estas duas entidades, que se dirigem à Sessão de Planificação da próxima expressão na Terra. Mas ainda podemos ouvir um deles a dizer:
- Vamos para a Terra novamente! Só que, desta vez, eu serei a mãe e tu a filha!
Comentário final do escritor
Esta história preciosa é contada, especialmente, para alguns de vós, que estão a lê-la neste momento e que ainda têm que reconhecer o dom do que está a acontecer na vossa vida... ou que ainda têm que reconhecer o vosso melhor amigo. Reparem no amor que estas duas entidades necessitaram para concordarem passar por este drama! A história, dá um exemplo de desprezo e ódio, mas isso não passa de atributos cármicos. São medos que era necessário ultrapassar. E agora, digo-vos: se, durante a vida na Terra, ou o pai ou o filho se tivesse apercebido de quem, na realidade, era, teria enfrentado o medo do ódio e do desprezo e teria saído desta vivência com amor. O outro não teria podido resistir a este apelo, e tudo teria sido diferente, para ambos.
Esta é a lição humana da Nova Era.
Independentemente do que acreditam que se encontra diante de vós, daquilo que parece ser por causa da forma como se apresenta, lembrem-se que pode ser somente uma prova, tão fina como uma folha de papel, pronta para ser dissolvida, para se converter em amor e num compromisso pacífico.
Têm algum aborrecimento por resolver com outra pessoa? É uma jogada do carma e uma lição para vós, pois sabem a quantidade de energia que é necessária para manter esse sentimento, assim como sabem a maneira como ele se perpetua a si mesmo, aparentemente, sem vós.
Não acham que já é tempo de o deixar partir?
(in As Parábolas de Kryon - 4)



Comentários