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As coisas verdadeiramente importantes


Há coisas que, para mim, são verdadeiramente importantes na vida.

O meu trabalho, por exemplo.

Não apenas aquilo que faço todos os dias, mas aquilo que gostaria que pudesse deixar no mundo: contribuir, de alguma forma, para a evolução da humanidade e para uma maior consciência sobre a nossa responsabilidade em manter este planeta vivo.


E depois há coisas tão simples que quase passam despercebidas: A água.

Tão fundamental que não consigo deitar fora o restinho que fica numa garrafa.

Se sobra um pouco, procuro sempre uma planta a quem o possa dar.

Pode parecer uma coisa insignificante.

Mas talvez seja precisamente aí que começa a nossa relação com o planeta: na forma como tratamos aquilo que parece pequeno demais para merecer a nossa atenção.


E depois existem as árvores.

Esses seres extraordinários que estão ali, silenciosamente, a fazer um trabalho absolutamente indispensável para todos nós.

Produzem oxigénio. Armazenam carbono. Regulam a temperatura. Protegem os solos. Acolhem inúmeras formas de vida.

E fazem tudo isto sem pedir nada em troca.


A maior parte das pessoas passa por elas sem sequer reparar.

Uma árvore torna-se parte da paisagem. Um elemento que está simplesmente ali.

Até ao dia em que alguém decide que aquela árvore “incomoda”.

Porque levanta o passeio.

Porque deixa folhas nas ruas.

Porque entope as caleiras.

Porque as raízes cresceram demasiado.

Porque suja o carro.

E, de repente, aquilo que levou décadas a crescer transforma-se num "problema" que precisa de ser eliminado.


Às vezes pergunto-me se perdemos a capacidade de reconhecer aquilo que é verdadeiramente valioso.


Somos capazes de atravessar um jardim inteiro sem olhar para uma árvore, mas incomodamo-nos imediatamente com uma folha que caiu no chão.


Preocupamo-nos tanto com aquilo que nos facilita a vida que esquecemos aquilo que torna possível a própria vida:


A água.

As árvores.

O solo.

O ar.

Os rios.

Os oceanos.

Todos esses sistemas silenciosos dos quais dependemos e que, precisamente por funcionarem silenciosamente, damos como garantidos.


Talvez uma das grandes mudanças de consciência de que precisamos seja esta:

voltar a reparar.


Reparar na água antes de a desperdiçar.

Reparar numa árvore antes de a cortar.

Reparar na vida que existe à nossa volta.

Perceber que não somos donos deste planeta.

Somos parte dele.

E talvez evoluir enquanto humanidade não seja apenas adquirir mais conhecimento, criar tecnologias mais avançadas ou conquistar coisas novas.

Talvez evoluir seja também aprender a cuidar melhor daquilo que já nos foi dado.


Por isso, quando tenho um pequeno resto de água numa garrafa e procuro uma planta para o deitar, não sinto que estou a fazer algo extraordinário.

É apenas a minha pequena forma de dizer: Eu reparei em ti.


E talvez seja disso que o planeta precise de nós.

Que voltemos a reparar.

Que voltemos a agradecer.

E, sobretudo, que voltemos a cuidar.



 
 
 

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